6/30/2006

Inda falta Munique... vergonha!

Ainda bem que já sou jornalista. Do contrário, depois de Todos os Homens do Presidente ano passado e agora Boa Noite e Boa Sorte, ia ter de perder quatro anos da minha vida numa faculdade. George Clooney, meu caro, hoje em dia tu pode fazer o que bem entenderes. Nota 9.

Vendo-o pela duocentésima vez, dá pra dizer que o primeiro Duro de Matar é um clássico do cinema de ação. À exceção do cabelo da Bonnie Bedelia e dos sons que rolam na limusine, tudo parece atemporal. Bruce Willis com tiradas antológicas ("agora eu sei o que é estar entalado!"), ação non-stop e a presença de figuras ilustres da porradaria como esta aí ao lado (Al Leong, que também cagou Mel Gibson a pau em Máquina Mortífera) completam o melhor programa que se pode pedir prum domingão à noite. Nota 10.

Empolgado com o revival "ação 80's" promovido pelo Domingo Maior, taquei-lhe o DVD de O Exterminador do Futuro. Ah, Shwarzenegger... por que foste te meter na política? Tão competente que era com um trabuco na mão... Nota 9,5.

Na semana da Besta, que tal um filme de terror legal? O Exorcismo de Emily Rose fez bonito no escurinho lá de casa, com um copão de coca-cola e dez unhas prontas para serem roídas. Nota 7.

Já dá até pra imaginar a voz do locutor da Sessão da Tarde: "esses caras da pesada vão deixar a cidade completamente maluca ao lado desta tremenda gata, que é puro veneno. Juntos, eles vão aprontar as mais loucas e divertidas confusões!". Isto resume bem Os Gatões. A passagem do antigo seriado para a telona deve ser o recordista mundial de "wows" e "u-hus" por minuto. O filme fala, basicamente, sobre dois garotões mongas e encrenqueiros fugindo num Dodge em alta velocidade e uma loirosa de shortinhos curtos e apertados (hum... não é de todo mau...). O problema é que a lógica inexiste e todos os policiais são facilmente enrolados pelos malandros. Difícil dizer qual dos atores está mais perdido; a cena em que Willie Nelson dá um sopapo no nariz de Burt Reynolds deve figurar entre os anais da antologia cinematográfica. Uma pataquada sem fim, merecidamente agraciada com sete indicações ao Framboesa de Ouro. Foge tu também! Nota 4.

O Segredo de Brokeback Mountain, filme do ano? Pode apostar que sim. Ennis Del Mar e Jack Twist... que casal massa. Pena que a Mônica só vai conhecê-los quando forem pra estante; mais uma vez, dormiu. Bobona. Nota 9,5.

As risadas gravadas eram um tanto incômodas, e aquele misto de felicidade constante + yupiezinhos em busca de seus sonhos também. Mas depois que comecei a acompanhar Friends, pude ver que se tratava de um seriado sempre muito bem escrito, uma metralhadora de piadas intercalada vez que outra por uns momentos dramáticos de partir o coração. A 3ª Temporada Completa é tão boa quanto as anteriores. De se urinar rindo, às vezes. Nota 8,5.

Quem não curte futebol tem mais uma razão para, na hora dos jogos, ligar o DVD junto com a TV: abordando o submundo das famosas gangues formadas entre torcidas organizadas inglesas, Hooligans é atual, urgente - e uma paulada sensacional. Elijah Wood (o eterno Frodo de O Senhor dos Anéis) faz um estudante que é expulso injustamente da faculdade de Jornalismo em Harvard, nos EUA. Ele decide ir para a casa de sua irmã (Claire, mais chororô que em Encontro Marcado) em Londres. Lá faz amizade com seu cunhado, Peter (Charlie Hunnam, um Brad Pitt genérico), que passa a convidá-lo para rodadas de cerveja em todos os pubs possíveis e imagináveis da Inglaterra. Logo o jovem estará devidamente apresentado a um mundo totalmente inverso ao que vivia nas terras do Tio Sam. Ele aprende a marcar seu território através das amizades que faz, sem perceber que a companhia não é das melhores. Para deleite daqueles que apreciam um cinema visceral e realista, a sanguinolência come solta nas brigas de gangues, com algumas cenas chocantes fora dos estádios. Ótima surpresa, inédita nos cinemas brasileiros. Por que será? Nota 8.

Uma das mais recentes modas de Hollywood é a transformação de clipeiros em diretores de cinema. O cineasta Tony Scott pegou a contramão de David Fincher, Spike Jonze, Michel Gondry... Tomemos como exemplo seu último rebento: baseado na história verídica da ex-modelo que se tornou caçadora de recompensas, Domino é um gigantesco videoclipe de 127 minutos, bem ao estilo MTV. Tudo é exagerado, da fotografia estourada e colorida até a câmera atordoante e os infindáveis cortes na edição (quase não dá pra enxergar os atores!). O formato pode ter funcionado num Assassinos por Natureza aqui, um Corra Lola Corra acolá, mas com Scott a coisa não deslancha. Ele tenta deixar a fita com um ar cool o tempo inteiro, mas, no frigir dos ovos, quem sai ganhando é a nossa enxaqueca....xiii... achei que tivesse uma aspirina aqui no bolso... Nota 5.

Miyazaki deve tomar no mínimo um chazinho de cogu antes de ir pra planilha desenhar. Bem como A Viagem de Chihiro, O Castelo Animado é um fascínio de som e imagem, com uma penca de tipos inesquecíveis, sensorial, loucura total. Tipo de longa capaz de nos transportar para outros mundos (um novo A História sem Fim?) - e renovar nossas esperanças na animação tradicional, depois do fantástico novo universo proporcionado pelos pixels da Pixar. Nota 8,5.

Minha última sessão no extinto Cine Glória, aqui de Rio Grande, foi Quase Famosos. E ele segue merecedor de um cantinho especial no coração do pápi. Ao lado de Jovens, Loucos e Rebeldes, o melhor climão setentista já registrado em película. Uma obra-prima da emoção. Nota 9,5.

O mercantilismo e a falta de criatividade dos produtores hollywoodianos às vezes preocupam mais que qualquer camada de ozônio. Desta vez, resolveram adaptar para a telona um obscuro desenho da MTV, Aeon Flux, que segue a recente fórmula "heroína-solitária-em-trajes-sumários". Mas o resultado consegue ser pior que Tomb Raider e Resident Evil juntos! Ambientado num futuro distante (bota distante nisso... 400 anos!), quando uma epidemia matou a maioria da população terrestre, o longa é uma bobajada sem qualquer nexo. História ou trama inexistem, apenas várias cenas, uma atrás da outra. As seqüências de ação estão entre as mais chochas dos últimos tempos, os cenários parecem saídos direto do set de Xuxa e os Duendes, e atrizes oscarizadas pagam um vale danado com cabelos e roupas ridículos. Fluxo zero! Nota 4.

No fone: Wolfmother - "Pyramid"

6/02/2006

Que venha junho!

Se o mundo é dos mutantes, Brett Ratner acaba de virar uma borboleta. Seu X-Men: O Confronto Final não só extermina todas as dúvidas que pairavam sobre sua (falta de) capacidade em dar seqüência ao ótimo trabalho de Bryan Singer, como consegue ser o mais bem-acabado episódio da trilogia. Fazendo a festa dos marvelmaníacos, temos atores ostentando penteados bizarros com impressionante dedicação, e efeitos (da neozelandesa Weta Digital) saúdam a inteligência de uma trama bem amarradinha e sempre boa de acompanhar. Curti o Fera também. Só uma confissãozinha nerd: sonho em ver um dia, num mesmo filme, Wolverine, Colossus, Ororo, Ciclope, Fera e Noturno. Nos meus áureos tempos de Superaventuras Marvel, esses eram porradas. Nota 8.

Então vou dizer: demorei um pouco a amar Kill Bill - Vol. 1. Isso aconteceu na segunda ou terceira espiada no filme. Mesmo urrando de prazer com aquela mistureba de kung fu clássicos, animes e blaxploitation, eu sabia que o Quentin era mais do que aquilo. Ele beirava à perfeição, mas não era perfeito. Nota 9,5.


Já com o Vol. 2 foi o contrário. Amor à primeira vista. A segunda parte mostrou um diretor com plena noção de seus superpoderes, capaz de soltar diálogos definitivos aqui e ali, comandar cenas de ação com a agilidade de uma Daiana dos Santos, empilhar clímax em cima de clímax, e inovar com uma seqüência de quase dois minutos totalmente às escuras (a do caixão). Mas o grande diferencial eu demorei a entender qual era. Os atores. Como num passe de mágica, canastrões eméritos como Michael Madsen, David Carradine e Daryl Hannah adquirem a envergadura de atores de verdade. E o Pai Mei, então? Um dos meus cults, desde sempre. Vai demorar o próximo, Quentin? Nota 10.


Chegou às locadoras, semana passada, a Quarta Temporada de A Sete Palmos. O que esperar de uma série que aborda o dia-a-dia de uma família de agentes funerários? Em que a matriarca viúva e sessentona se revela uma ninfomaníaca voraz, o protagonista faz coisas tão naturais como receber um blow-job do encanador, a caçula começa a experimentar todas as drogas que aparecem para dar vazão aos seus dotes artísticos, e em que os melhores episódios são encerrados com Radiohead e Arcade Fire no letreiro? Sem trocadilhos, é algo fora de série. Brabo vai ser ter de esperar até o ano que vem pela temporada derradeira. E agora, baixo ou não? Nota 9 (dois ou três episódios chegam a 10).


Quem quiser conhecer o novo James Bod pode alugar sem medo Amor Obsessivo. O tal Daniel Craig é mais ator que Pierce Brosnan e Timothy Dalton juntos e não deve fazer feio na franquia. Esta pequena produção britânica foi pouquíssimo comentada mas é um colírio para os olhos. Legalzão. Nota 7.

Craig também está em Nem Tudo é o que Parece, tradução um tanto monga para Layer Cake. O filme tem a direção de Matthew Vaughan, produtor e amigo íntimo de Guy Ritchie. Não é tão cool quanto Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes ou Snatch, mas tem lá o seu valor. Nota 7.

Fui pronto pra detestar A Casa de Cera. Céus, outro remake de terror? Paris Hilton? Hip hop na trilha? Tudo parecia conspirar contra. Mas não é que essa produçãozinha maldita me pegou? Até a metade é aquela droga de sempre (galerinha-insuportável-de-playboys-e-patricinhas invadindo o terreno de caipiras-ameaçadores-de-dentes-podres-e-caminhonetes-idem) mas lá pelos 40 minutos o filme engata uma quinta e não pára mais. O grande xodó é a encenação das mortes. Tem de tudo aqui, e as coisas acontecem com a velocidade e uma capacidade de surpreender que a gente não vê com muita freqüência no gênero. Arroz, feijão, bife, ovo frito e salada verde pros amantes do terror. Nota 6,5.

Fodidaço após tomar da mulher e dos filhos um homérico pé na bunda, o vendedor de móveis Samuel Bicke deposita todos os seus problemas na figura do então presidente Richard Nixon. Decidido a se vingar, ele decide armar um plano mirabolante para assassiná-lo. O Assassinato de um Presidente, estréia de Niels Mueller atrás das câmeras, é baseado na história verídica de um homem que, em 1974, tentou raptar um avião para fazê-lo colidir contra a Casa Branca. O filme é um retrato verdadeiro de como o desespero pode nos tomar por completo, e do quão falho é o conceito de "sonho americano". Mergulhando fundo na nóia, Bicke realmente se enxerga como um anjo vingador (não dá pra não lembrar de Taxi Driver) numa época em que a América perdia por completo a sua inocência. Eram os anos do Vietnã e da ameaça da Guerra Fria, de crises petrolíferas, escândalos e corrupção política. O rosto de Nixon estava onipresente em todos os televisores, todo o tempo - daí a descontrolada antipatia do anti-herói pela bochechuda figura do querido. Sean Penn, um ator sempre interessante, talvez mostre aqui o seu melhor trabalho: seja tentando uma aproximação com a ex (Naomi Watts, com quem contracenou em 21 Gramas) ou pedindo arrego no banco, ele tá assustadoramente vulnerável, quase chinelão, diferente de qualquer personagem que já encarnou. A melhor atuação que vi este ano. E aquele bigodinho ficou escroto! Nota 7,5.

Quando é que a gente realmente se liga que está assistindo a um filme ruim? Às vezes acontece quando os atores não param de falar asneira, e proferir frases de efeito forçadésimas, como se estivessem interpretando Shakespeare. Noutras, são os efeitos visuais capengas e fora de hora que põem toda a credibilidade da história por água abaixo. E há ainda aqueles "de terror" quando o roteirista se permite cair na armadilha de clichês batidíssimos, como passar a mão no espelho embaçado e enxergar o tinhoso. Horror em Amityville, a enésima refilmagem de um clássico do horror tem tudo isso e mais. Ou seria menos? Literalmente, um horror. Triste fim para a Metro Golwyn-Mayer (que depois seria comprada pela Sony). Nota 5.

Plano de Vôo podia ser bem melhor se o diretor, um desconhecido aí, não quisesse se fazer passar por David Fincher O TEMPO INTEIRO. Como está, é um Supercine de luxo - Jodie Foster pode até declamar o encarte do Babado Novo que a gente vai aplaudir em pé. Mas a experiência final é a de ter-se deixado enganar. Nota 6,5.

Concebido pelo meu diretor favorito, Dr. Fantástico (1964) foi um dos muitos que vi aos meus 11 ou 12 anos. Não entendi muito dele àquela época. Agora, homem feito (ui...), finalmente me esbaldei com tanta genialidade, tanto nonsense, tantos bons atores. Esse Peter Sellers era um gênio tão grande quanto Kubrick. E George C. Scott, então? Que monstro! Cara, até o Sterling Hayden deixa de ser canastra pelas mãos do Stanley! Bah!! Nota 9,5.

É possível fazer um filme de terror em pleno deserto, com apenas quatro personagens? Eis o maior feito de Wolf Creek, uma modesta fita australiana: a economia de recursos, que aliada à criatividade da equipe de produção resulta numa obra diferente e razoavelmente assustadora. Duas minas e um cara atravessam a Austrália e se divertem como nunca em 40 minutos de filme: dormem sob as estrelas, fumam um (er... vários), até uma putaria se anuncia. E então os mochileiros chegam ao Parque Nacional Wolf Creek, um ponto turístico real que sofreu simplesmente o maior impacto de meteoro no planeta. Eles decidem explorar a área e, não demora muito, o assassino se revela. Aí é pauleira total. Panicomaníacos certamente vão estranhar a crueza da produção; aqui quase não há sustos, assassinos mascarados, gatos pretos ou grandes revelações; a sensação que nos acompanha é a de ver algo que sabemos que vai nos aterrorizar, a necessidade de sobreviver e arranjar um jeito de fugir. Não é um filme isento de defeitos (o final anticlimático é um bom exemplo), mas cumpre o seu papel com louvor. Nota 7.

Pretensioso, chato, datado, sem força dramática ou comunicação com o público, Sal de Prata é uma prova viva de que a teoria é muito, mas muito diferente da prática. Gerbase pode ser um bom professor de Cinema na nossa PUC-RS, mas mesmo os seus alunos mais desinteressados devem ter caído na gargalhada ao assistirem a este seu novo longa "sério", depois do fraco Tolerância. Decidido a contar os bastidores de uma produção cinematográfica, ele toca em assuntos que pouco interessam ao espectador comum, como a substância química do título (usada pelos cineastas para deixar a película sensível à luz. Pode até ser algo interessante para nós, amantes da sétima arte, mas a forma como o cineasta expõe isso é broxante). A forçação de barra é tamanha que praticamente todos os cenários exibem pôsteres cults, câmeras ou uma daquelas cadeiras de diretor. Será que Gerbase realmente acha que tem talento? Jorge Furtado, então, é o novo Billy Wilder! Nota 3.

No fone: Grandaddy - "Summer it's Gone"

5/22/2006

Charmutas, missões, alicates e... Pi

Quer passar dois dias angustiantes ao lado de uma dupla de homens-bomba palestinos? Então teu destino é Paradise Now - feito com dinheiro holandês, francês e alemão, mas de alma palestina. É um filmezinho todo falado em árabe e que nos provoca reações diversas ao retratar as motivações psicológicas, religiosas e e éticas dos dois pretensos suicidas, que levarão (ou não) a uma bombástica missão suicida em Tel-Aviv. O diretor aqui tem uma missão que Tom Cruise nenhum conseguiria dar cabo: explicar o inexplicável. Há algumas coisas reveladoras para nós aqui do lado do oceano, entre elas a ciculação de vídeos-testamentos pelas locadoras das vizinhanças. Um cinema abertamente político. Isto, meus amigos, se chama coragem. Nota 8.

Falando no superastro de dentes branquinhos e risonhos, seu Missão: Impossível III tem pelo menos uma cena marcante: essa aí, a emboscada na ponte. Balas zunindo, jatos supersônicos em rasantes mortais, furgões explodindo a rodo e Tom Cruise correndo e pulando e rodopiando pra dedéu: tem de tudo nessa louca seqüência, que por si já justifica a contratação de J.J. Abrams (Lost) no comando de uma das séries mais rentáveis do cinema. Nenhum desses petardos de ação, porém, chega aos pés do que Brian DePalma fez no longa de estréia, onde Ethan Hunt segurava um silêncio absoluto da platéia ao pendurar-se em fios naquela sala ultra-secreta pra roubar um disco ultra-secreto com informações ultra-secretas. E toda aquela seqüência final do 2, então, em que John Woo promoveu um desfile carnavalesco com motos, carros e helicópteros em alta velocidade? Que loucura. O terceiro filme ganha pontos pelo menos num quesito: nenhum dos vilões anteriores chega aos pés de Philip Seymour Hoffman. No fundo (no raso mesmo!), a gente torce é por ele. Legal também a sacada de Abrams em botar Simon Pegg (o Shaun em pessoa) numa função de peso. Nota 7,5.

Assim como Um Drink no Inferno, O Albergue é um 'dois em um' de foder. A primeira metade mostra três amigos divertindo-se como nunca pela Europa em aventuras regadas a muito trago, ecstasy, marijuana e big teets. A catarse é tamanha que somos brindados até com o Tarantino em carne-e-osso, num papel minúsculo e de uma única fala. E então vem o grande filé deste segundo longa de Eli Roth (do também bom Cabana do Inferno): uma infinidade de membros decepados/queimados/torcidos/quebrados por maçaricos/furadeiras/bisturis/motosserras/instrumentos medievais de tortura. Brrrrrr... Roth não tem medo de sangue, sexo ou incorreção política. E imprime uma charmosa atmosfera anos 70/80 - como os créditos de abertura com "Starring" em cima do nome dos atores. Mesmo com aqueles dez minutos finais de muitos excessos, o produto acaba soando superior a todos os 'terrores' que têm entrado em cartaz. A equipe já prepara uma seqüência, e a franquia promete ainda muito sangue. Te cuida, Jogos Mortais. Nota 7,5.

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Pi (1998) é um sonho que se realiza. A estréia de Darren Aronofsky (que ganharia o mundo com Réquiem para um Sonho) chegou ao Brasil com quatro anos de atraso, e poucas locadoras se interessaram em adquirir o DVD meses depois. A própria Europa Filmes não acreditou no potencial do filme. Filme independente, preto-e-branco, intelectualóide? Nã. Não vai locar. Humpf... idiotas. Mal sabem eles que esta salada em p&b granulado de filosofia, expressionismo, ficção-científica, Torá, economia e loucura é tudo aquilo que esses fanzocas de Dan Brown poderiam pedir a Alá. Adquiri-o num muito bem-vindo relançamento pela Saraiva. E delirei. Pede uma segunda espiada esse Pi, até porque, o que se poderia esperar duma produçãozinha de R$ 60 mil cujo protagonista vê a matemática como a língua da natureza, e que vive somente para buscar um padrão nos dígitos quilométricos do mais misterioso dos números? Aronofsky filma tudo isso com um olho de cinema; a gente sente o cérebro pulsar durante toda a sessão. Nunca tive tanto respeito por essa coisa medonha chamada Matemática, e parece que seu grande mérito é mesmo esse. Pobrezinho de Uma Mente Brilhante. Não-pensantes, não assistam. Nota 9.

No fone: Sufjan Stevens - "The One I Love (R.E.M. Cover)"

5/12/2006

Ainda as férias da Mônica

O cinema de massa já permite que um país como a Rússia faça coisas gigantescas recheadas de efeitos e trucagens como Guardiões da Noite (Nochnoy Dozor... engraçado). Esta superprodução virou febre no país de origem, de onde partiu pra conquistar fãs ao redor do globo. Não fui um deles, até porque fiquei mais decepcionado que surpreendido - especialmente depois duma promissora meia hora inicial. Não merece esse alarde todo, mas quem estiver disposto a encarar uma salada de vampiros, guerreiros medievais, seres amaldiçoados, criaturas esquisitas e a "eterna luta do bem contra o mal" até que vai conseguir se divertir. O grande defeito da película é, ironia do destino, sua maior qualidade: o visu. Por mais que a gente fique de boca aberta, a estrutura de Guardiões é um compêndio de todos os longas de ação, fantasia e ficção-científica recentes. Quando a gente percebe isso, a identidade do longa já foi pro saco. Ah, mas eu vi meio com sono, portanto não ponho a mão no fogo por esta crítica aqui. Um 6,5 me parece de bom tamanho no momento. Nota 6,5.

Eis que, num daqueles dias de prateleiras vazias na locadora, me surge Pacto Maldito. Capinha bonita, nada de diretor ou atores conhecidos. Daqueles lançados com pouco alarde nos cinemas (onde, sem maiores explicações, recebeu o título Quase um Segredo) e que caem que é uma beleza no escurinho doméstico. Típica produção de descobertas adolescentes, acompanha um grupo de jovens de 13 a 17 anos - o mais conhecido deles é Rory Culkin, de Sinais e eterno irmão do Kevin McCallister - que resolvem se vingar do colega de um deles. O gordinho George vive descendo o laço na rapaziada, e é convidado por um deles para um inocente passeio de barco de fim de semana. Em mar aberto, os guris confessam seus medos e fraquezas e fazem declarações de ódio e amizade, até o papo culminar com uma cena digna de nossos piores pesadelos. A forma como o diretor Jacob Estes desenvolve sua modesta história me lembrou diretamente de dois clássicos de décadas distintas: Amargo Pesadelo (73) e Conta Comigo (86). A ambientação é praticamente a mesma: florestas e riachos isolados da zona urbana. Mas os diálogos fazem a diferença ("Será que sua mãe vai precisar do carro sábado?", "A única coisa que ela precisa no fim de semana é de um frasco de Valium") e são poucas as cenas que nos fazem sorrir. Bonito. Nota 8.

Confronto Final. Sim, este filme realmente existe, chegou nas locadoras há pouco e é uma das piores invenções de toda a história da humanidade. Contaram pro astro global Jackson Antunes que ele era as fuças do Charles Bronson, e o cara acreditou: uniu-se ao rei dos filmes baratos do cine brasileiro, Alonso Gonçalves, e em duas semanas filmou este Desejo de Matar brazuca. Toda gravada com câmeras caseiras e atores de última (entre os coadjuvantes estão o comediante Caju, do SBT, e a moça da propaganda do Itaú Power Shopping), a "obra" chega a ser ótima de tão ruim. As explosões e tiroteios só conseguem ser piores que os diálogos ("você acha que pode contra nós cinco?", "Cinco não. Quatro!" - e BOOM! neles). O mais afudê são os extras, onde o diretor chega a se desculpar pela ruindade do filme. Quer uma dica de amigo? Convide a galerinha, prepare uma pipoca, acomode-se num almofadão e divirta-se a valer com 108 minutos de pura ação trash. Pode ter certeza que o Domingo Maior nunca mais será o mesmo. Nota 1.

A idéia, louvável, é do canal Showtime americano: são vários filmezinhos, cada um com 60 minutos e reunindo diretores e atores que fizeram nome no gênero horror. Empolgado com esse projeto Mestres do Terror - cujos episódios estão sendo despejados a cada mês pela Paris - eu, que me criei com os Jasons e Freddies da vida, peguei pra ver Dança dos Mortos, de Tobe Hooper. A expectativa era alta, afinal achava que cada cineasta (Joe Dante, Dario Argento, John Landis, John Carpenter, Stuart Gordon, John McNaughton) iria querer superar os demais na criatividade, na qualidade. Ledo engano. Nem parece que foi este infeliz o criador de três das melhores fitas já filmadas nesse gênero, O Massacre da Serra Elétrica, Pague para Entrar, Reze para Sair e Poltergeist. Muito menos que o criador da história original é Richard Matheson, O filme não tem pé e muito menos cabeça (num futuro pós-apocalíptico, ETs descem à terra e cadáveres humanos passam a ser reanimados com injeções misturando sangue e um liquidozinho nojento), e Hooper filma essa idiotice com uma preguiça de irritar. Efeitos horríveis e Robert Englund (o Freddy Krueger em pessoa) vomitando uns diálogos de teatrinho escatológico completam o abacaxi. A maior supresa é Billy Corgan (que tá de volta com o Smashing Pumpkins) assinando a trilha. Os elogios aos demais filmes têm sido os melhores, mas nem sei se vou continuar nessa. Nota 4.

O Chamado? Ruim. Jogos Mortais? Bleargh. O Albergue? Ainda não vi. Cansado de tanto lixo estilizado, resolvi dar uma nova chance a Mestres do Terror, e olha... valeu a pena. Pesadelo Mortal é o melhor filme de terror dos últimos tempos. O roteiro e a direção dão de 500 a zero nesses filmezinhos de petitudas esfaqueadas. Mesmo tendo feito muitas bobagens por aí, Carpenter ainda leva a profissão a sério. Historinha massa: dono de cinema (uma espelunca que só passa clássicos da podreira) é contratado por um milionário em estado terminal, colecionador de filmes obscuros e de violência extrema, para achar a única cópia do fictício Le Fin Absolue del Monde, que foi exibido uma única vez num festival de cinema fantástico e acabou se tornando uma tragédia (o longa é fictício). Aos poucos o cara começa a mergulhar numa trama que envolve anjos de asas cortadas, visões perturbadoras, olhos furados e decapitações - até descobrir que o filme foi, na real, produzido pelo Tinhoso em pessoa. Por que tu não é sempre assim, Carpenter? Nota 8.

A Passagem começa em ponto de bala, um verdadeiro filmaço. Ewan McGregor e Naomi Watts sempre bem, Ryan Gosling uma das boas revelações recentes (Tolerância Zero, ainda não?), o diretor Marc Forster (que havia feito um ótimo, A Última Ceia, e um mais ou menos, Em Busca da Terra do Nunca) e o plot interessante. Há duas formas de analisá-lo no decorrer da sessão: concentrando-se na (confusa) história ou se atendo à parte técnica, da direção de arte e figurinos à montagem e fotografia. O estilo termina por imperar sobre o conteúdo - no Cinema, assim como na maioria das manifestações artísticas, isso não é legal. Nota 6,5.

Não caio de amores por filmes de doença da semana. Talvez seja isso o que me impedia de conferir, nesses anos todos, Meu Pé Esquerdo (1989). A admiração por Daniel Day-Lewis falou mais alto, e lá tava o filme na sala de casa, semana passada. Veredito? O homem é um monstro. Cada nervo de seu corpo parece se manifestar em cena para extrair uma nova emoção. E é legal ver a Brenda Fricker antes de se tornar a velha dos pombos de Esqueceram de Mim 2. Nota 8,5.

Joan Allen entra certo na minha lista de atrizes favoritas; já as rugas profundas, a grisalhice e o vozeirão tonitroante de Sam Elliott sempre achei cinematográficos, mas nada demais em termos dramáticos. Fora do Mapa põe os dois lado a lado, e ambos fazem um trabalho divino. Quem comanda a câmera, imprimindo um saudável ranço independente, é Campbell Scott, filho do George C. e um dos atores de Singles. Ah, e viver sem grana num fim de mundo? Só no cinema mesmo. Nota 7.

Também testemunhei O Mercador de Veneza na maior das sonolências. Lá pelos 40 minutos já tinha apagado. A partir daí fui acordando, voltando no controle, me entregando de novo, acordando, voltando no controle e me entregando de novo. Só faltava o Al Pacino sair da tela e me chacoalhar. Que merda, como tô fraco. Nota 6 (será mesmo?).

Cameron Diaz de calcinha e sutiã é algo que a gente já tá acostumado a ver. E que bom. Mas, pela primeira vez na carreira, ela parece uma pessoa de carne-e-osso em Em Seu Lugar. Nossos cumprimentos a Curtis Hanson, que com duas pequenas obras-primas consecutivas - L.A. Confidential e Garotos Incríveis - mostrou ser um cineasta diferenciado. Nota 7,5.

No fone: Thom Yorke - "After the Gold Rush (Neil Young Cover)"

5/02/2006

Abril desocupado

"Não quero que esta guerra vire um videogame", diz lá pelas tantas o piloto "interpretado" por Josh Lucas em Stealth. Mas é exatamento isso o que ficou martelando minha cabeça quando abri a gaveta do DVD: que eu acabava de assistir ao mais descerebrado dos jogos eletrônicos. A função toda é completamente nada-a-ver (jato militar ultra-secreto adquire inteligência própria, vejam vocês) e os atores só abrem a boca pra falar bobagem. As cenas de ação, que poderiam salvar alguma coisa, são confusas, mal editadas e não devem empolgar o mais descontrolado dos hiperativos. Ai, ai... nunca pensei que fosse sentir saudade de Top Gun. Nota 2,5.

Difícil de achar mesmo é filme de adolescente legal, honesto. Em seu segundo longa, Os Reis de Dogtown, a diretora Catherine Hardwicke (que não me convenceu muito em Aos Treze) consegue isso brindando o espectador com uma trama simples, mas a que se assiste com prazer. A galerinha ishperrrta dos esportes radicais tem mais motivos pra curtir o filme, inspirado no documentário Dogtown & Z-Boys. Todos, porém, vão acompanhar com gosto o início da febre dos skates. Atores juvenis todos OK: Emile Hirsch (Meninos de Deus) e John Robinson (Elefante) estão à vontade como os skatistas mais talentosos do pedaço. Caricato como nunca, Heath Ledger também segura as pontas no papel do guru falcatrua. Atenção ainda para as participações especiais do loucaço Johnny Knoxville e da rediviva Rebecca De Mornay. Ah, e saca só a trilha sonora: Neil Young, Black Sabbath, Stooges, Deep Purple, Pink Floyd, Cream, Faces, T. Rex, David Bowie, Jimi Hendrix, Alice Cooper, Peter Tosh... Dá pra tirar a imagem e deixar rolando o som numa boa. Nota 8.

Não, não é birra de rio-grandino. Mas Concerto Campestre, drama de época inteiramente filmado na vizinha Pelotas, é mesmo um soretaço! O diretor Lima até começa bem, contando com o apoio de uma impecável cenografia, mas logo caga tudo ao se levar a sério demais. O roteiro e a direção se perdem nas cenas mais decisivas e os atores, coitados, não conseguem acompanhá-los. Péssimos, Leonardo Vieira e Samara Felippo representam como se houvesse um espelho à frente. O véio Abujamra, meio aéreo e com sotaque carregado, acaba tendo seu talento desperdiçado. Já o nosso Lori Nelson, embora com um papel decisivo para o desfecho da trama, também é mal aproveitado e pouco pode fazer com meia dúzia de falas. Mas o que mais me impressionou foi o clímax final com o furacão, que traz uns efeitos dignos dos melhores episódios de Chapolin. Agora, é esperar pelo resultado final de O General e o Negrinho, estrelando... Tarcísio Filho. Aonde fica o banheiro mesmo? Nota 4.

Pedro Almodóvar amadureceu muito sua técnica desde Matador (1986). Mas a crueza do filme segue fresquinha. Banderas novinho e virgem é muito estranho. Os cabelos de todos também. Nota 8.

O Turista Acidental também foi um desses que deixei passar à época e só me apresentaram agora. Geena Davis levou o Oscar, mas é William Hurt quem tem o melhor papel. Até temos boas promessas naquela meia hora de abertura, mas a Geena com aquela simplorice toda, e a musiquinha do John Williams deixa tudo com um verniz hollywoodiano que termina por comprometer a nossa boa vontade para com o filme. Podia ser um clássico, mas fica na História como uma competente comédia dramática. Nota 7,5.

Juan José Campanella é uma das maiores revelações do cinema mundial contemporâneo. Dá pra situar fácil, fácil o argentino entre nomes como Danny Boyle, Fernando Meirelles, M. Night Shyamalan e David Fincher. O Filho da Noiva é um dos meus 50 favoritos, e este O Mesmo Amor, a Mesma Chuva, feito antes mas lançado na esteira do sucesso d'O Filho..., traz uma carga de emoção e inteligência tão linda que chega a doer. O que esse cara consegue fazer pelo gênero "comédia romântica" merece palmas até do papa. Uma quase obra-prima, também estrelada pelos estupendos Ricardo Darín e Ricardo Blanco. Quando chega Clube da Lua por aqui, porra?? Nota 8,5.

Deus sabe o quanto procurei Os Cinco Dedos da Morte (Five Fingers of Death, 1972). Depois que vi o Top Ten do Tarantino no Independent, então, quadriplicou a vontade de conferir um dos maiores cults dos kung-fu movies. Que permanecia inédito em DVD e VHS, pelo menos pra mim, até encontrá-lo largado numa prateleira de ofertas do BIG, por míseros R$ 9,90. Comprei-o-o. É muito legal. Os diálogos são bisonhos, a fotografia capenga, os japas todos uns canastras, mas o charme e o estilo acabam dando um rosto próprio à produção. É uma glória quando o herói descobre o poder da Mão-de-Ferro e usa-o contra os inimigos - exatamente aí que toca aquela sirenezinha de quando a Noiva de Kill Bill reencontrava seus algozes. Muito stáile! Nota 8.

Só conhecia os Irmãos Marx de revistas e documentários na GNT. Considerava o Groucho um gênio da comédia, mas na real todos eles eram umas metralhadoras do humor. O Diabo a Quatro foi o primeiro da filmografia deles que passou lá em casa. Com certeza, outros virão. Nota 9.

Quase perfeito Morangos Silvestres (1957). Os filmes do Bergman são tão bons que parece que ele morreu há eras. Mas não, o sueco véio tá lá, bem vivinho com seus 87 anos, em sua fazenda em Sumollsundsaunzshcer-sei-lá-o-quê. A boa notícia é que vem aí um novo Ingmar, Sarabanda, após 20 anos de reclusão. Tomara que passem no Dunas. Nota 9,5.

Sou fã das antigas de Philip Seymour Hoffman. Foi desse talentosíssimo gordinho de cara quadrada a melhor presença nos três últimos do P.T. Anderson e noutra pá de pequenos filmes legais, sempre coadjuvando astros como Robert De Niro e Edward Norton. Seu primeiro papel de protagonista, como o viúvo viciado em gasolina no ótimo Com Amor Liza, infelizmente passou em brancas nuvens por público e crítica. O amplo reconhecimento de Hoffman finalmente veio este ano com Capote. É filme de Oscar mesmo, com tudo o que isso traz de ruim, mas uma experiência sempre interessante. Ainda mais para nós, jornalistas. Nota 8,5.

Qualquer filme que comece e termine com uma do Sgt. Peppers já merece um lugar no Céu. Não satisfeito "apenas" com isso, O Mundo Segundo Garp (1982) tem bem mais. Como as estréias de Glenn Close e John Lithgow, ambos indicados ao Oscar e marcantes em papéis complexos e ousadíssimos; Robin Williams, também em início de carreira, contido e cativante; e a manutenção do espírito do best-seller de John Irving, uma sátira ao comportamento humano como poucos americanos tiveram culhões de pôr no papel. Um filme injustamente esquecido - tão esquecido que não deu pra achar nenhuma foto pra ilustrar esta crítica. Nota 8,5.

Beijos e Tiros é daqueles que acabam prejudicados por uma overdose de coisas legais. O roteiro do autor-diretor Shane Black é espantoso de tão cool, mas lá pelas tantas a gente se enjoa de tantas piadinhas internas. Não fosse tão prolixo, podia ter chegado a um alcançável 9. Nota 7,5.

Filme de terror pra mim tem que ser sujo, podre, grotesque total. A intenção do gênero não é assustar ou nos causar asco? Pois bem, Jogos Mortais 2 é a mesmíssima coisa que o primeiro: um longo videoclipe de trash metal mauricinho, com câmeras-lentas e aceleradas sempre fora de hora, uma trilha metida a rebelde e a já obrigatória fotografia estourada no verde-musgo com luz fluorescente. Não há preocupação em dar tempo para a platéia se envolver com o esboço de roteiro. Pra variar, o assassino aqui quer dar uma lição de moral nas vítimas seguindo a cartilha de Se7en, pesquisando sobre cada uma delas. É por isso que o filme não machuca ninguém, não incomoda nem faz sofrer. Algumas idéias e imagens são grotescas, mas resultam num catálogo desprovido de tensão ou tesão. Uma única cena isolada traz algo de desagradável, especialmente para os dias atuais: a mina sendo empurrada pra dentro de um poço repleto de seringas usadas. De resto, tão insossamente ruim quanto o original. Nota 4.

Aviso de antemão: quem se aborreceu com as três horas de Além da Linha Vermelha certamente não vai gostar de O Novo Mundo. Ao decidir filmar as desventuras de Pocahontas (!) e o colonialismo americano, Terrence Malick fez mais uma obra estranhamente bela e lírica. São raios de sol vazando pelas árvores, paisagens verdes iluminadas por uma luz divina em meio a escalpelações e índios decapitados, closes em mãos e detalhes de rostos e os indefectíveis momentos de auto-reflexão por meio de poéticas narrações em off. Se há uma palavra para descrever o cinema hippie do sessentão Malick, esta é "sensorial". Seus filmes são orgânicos, vivos, de imagem mesmo, contrapondo paz e inferno, água e fogo, natureza e destruição. Eu, como amo Linha Vermelha, amei muitos pedacinhos deste. Viva Hollywood por ainda bancar extravagâncias como esta! Direto pro Top 10 do ano. Nota 8,5.

Ah, aos curiosos, eis a listinha nada óbvia do Quentin:

1. TRÊS HOMENS EM CONFLITO (Sergio Leone, 1966)
2. ONDE COMEÇA O INFERNO (Howard Hawks, 1959)
3. TAXI DRIVER (Martin Scorsese, 1976)
4. JEJUM DE AMOR (Howard Hawks, 1939)
5. ROLLING THUNDER (John Flynn, 1977)
6. MUITO RISO E MUITA ALEGRIA (Peter Bogdanovich, 1981)
7. FUGINDO DO INFERNO (John Sturges, 1963)
8. CARRIE, A ESTRANHA (Brian De Palma, 1976)
9. COFFY (Jack Hill, 1973)
10. FIVE FINGERS OF DEATH (Chang Cheh, 1972)
11. JOVENS, LOUCOS E REBELDES (Richard Linklater, 1993)

No fone: Rilo Kiley - "My Slumbering Heart"